ExpoEpi: terceiro dia apresenta vigilância em saúde, imunização e impactos das mudanças climáticas
Especialistas apresentam estudos e experiências sobre emergências em saúde pública, doenças imunopreveníveis e o papel estratégico da vigilância laboratorial

O terceiro dia da ExpoEpi foi marcado por uma programação intensa voltada à vigilância em saúde, reunindo especialistas de diferentes instituições para apresentar desafios atuais e estratégias diante de emergências sanitárias e ambientais.
O Auditório Cecília Donnangelo contou com a Mostra Competitiva sobre preparação, vigilância e resposta às emergências em saúde pública, coordenada por Marcelo Ferreira da Costa Gomes, da Coordenação-Geral de Vigilância da Covid-19, Influenza e Outros Vírus Respiratórios (CGCOVID). Entre os destaques, André Nóbrega Pitaluga, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apresentou o trabalho “Desenvolvimento de diagnóstico molecular point-of-care para covid-19”, abordando avanços tecnológicos que permitem diagnósticos mais rápidos e acessíveis.
Na sequência, Laís Picinini Freitas, também da Fiocruz, apresentou o estudo “Um modelo estatístico para previsão de faixas epidêmicas probabilísticas para casos de dengue no Brasil”, com contribuições relevantes para o monitoramento e a antecipação de surtos. Já Roberta Morozetti Blanco, do Instituto Adolfo Lutz, compartilhou a experiência em “Resposta rápida de um laboratório de referência em saúde pública à pandemia da covid-19”, evidenciando a importância da agilidade laboratorial em cenários críticos.
Imunização
No painel sobre o enfrentamento da reemergência das doenças imunopreveníveis, moderado por Renato de Ávila Kfouri, da Sociedade Brasileira de Pediatria, especialistas apresentaram estratégias para conter o avanço dessas enfermidades.
Na abertura do painel, o moderador destacou os desafios atuais da saúde pública. “É um grande prazer estar aqui neste evento tão importante para a saúde pública. Discutir emergências em doenças imunopreveníveis é fundamental. Vivemos um momento diferente, fruto do sucesso histórico da vacinação, mas que ainda exige atenção constante diante das dimensões e desigualdades do país. Teremos apresentações importantes e, ao final, um espaço para interação com todos vocês”, afirmou.
Eder Gatti Fernandes, diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, apresentou o tema “Sarampo de volta? O risco da reintrodução e as estratégias de vacinação para manter a eliminação do sarampo” e alertou para o cenário global e seus riscos ao Brasil. “Apesar da eliminação do sarampo no Brasil, a reintrodução da doença ainda é uma possibilidade no cenário atual. Municípios de diferentes portes e regiões podem apresentar suscetibilidade. Por isso, é essencial manter altas coberturas vacinais e uma vigilância contínua. Diante de casos suspeitos, recomenda-se a adoção oportuna das medidas de bloqueio, conforme os protocolos vigentes, sem aguardar confirmação laboratorial. O Ministério da Saúde segue à disposição para apoiar estados e municípios nessa resposta”, alertou.
Melissa Palmieri, da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, abordou o impacto da atuação dos profissionais na confiança da população em relação às vacinas. Em seguida, Marco Aurélio Palazzi Safadi apresentou diretrizes para o enfrentamento das meningites até 2030.
Encerrando o painel, Ana Catarina de Melo Araújo destacou o microplanejamento como estratégia essencial para ampliar a cobertura vacinal. “O microplanejamento organiza as ações de vacinação a partir da realidade local. É construído de baixo para cima, com base no território e no uso dos recursos já disponíveis. Seu objetivo é fortalecer a imunização, recuperar coberturas vacinais e controlar doenças imunopreveníveis. Nos últimos anos, ampliamos sua implementação em todo o país, com resultados positivos e aumento das coberturas. O desafio agora é consolidar essa estratégia e garantir sua continuidade nos municípios, chegando à atenção básica e qualificando o processo de trabalho”, explicou.
Mudanças climáticas
No período da tarde, a programação se voltou para a atuação estratégica da vigilância laboratorial diante das mudanças climáticas, com moderação de Karen Machado Gomes, coordenadora-geral de Laboratórios de Saúde Pública do Ministério da Saúde.
Ana Cristina Simões Rosa, da Fiocruz, apresentou a vigilância laboratorial como ferramenta para a detecção de riscos ambientais. Lívia Carício Martins discutiu os impactos das mudanças climáticas na dinâmica epidemiológica e os desafios para a vigilância de doenças infecciosas. César Rossas Mota Filho, da Universidade Federal de Minas Gerais, abordou a resistência aos antimicrobianos em contextos de mudanças ambientais. Encerrando o painel, Carla Freitas destacou o uso de dados laboratoriais como base para a formulação de políticas públicas.
O último painel do auditório tratou das mudanças climáticas e das emergências em saúde pública, sob moderação de Edenilo Baltazar Barreira Filho. José Lucas Pinho da Fonseca apresentou ações do Programa Nacional de Vigilância em Saúde dos Riscos Associados aos Desastres. Roberto Wagner Junior Freire de Freitas, da Fiocruz Ceará, discutiu os impactos da seca e da estiagem como emergências em saúde pública.
A experiência prática foi apresentada por Gislani Mateus Oliveira Aguiar, que detalhou o protocolo de enfrentamento ao calor extremo adotado no Rio de Janeiro. Encerrando o dia, Fabíola Azevedo Araújo, da Secretaria de Estado da Saúde da Bahia, abordou a comunicação de desastres como elemento estratégico para fortalecer a resposta a emergências climáticas.
João Moraes
Ministério da Saúde
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