Reunião de dirigentes fortalece integração e estratégias da vigilância em saúde na pré-ExpoEpi
Encontro em Brasília reúne representantes das três esferas de gestão do SUS para debater avanços, desafios e ações estratégicas rumo a um sistema mais equitativo

A reunião de dirigentes de vigilância em saúde realizada nesta segunda-feira (13), em Brasília, marcou a pré-programação da 18ª ExpoEpi e reuniu representantes de todo o país para debater ações, avanços, políticas públicas e estratégias de gestão no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O encontro teve como eixo central o fortalecimento da vigilância em saúde, com ênfase na integração entre os entes federativos e na construção de respostas mais efetivas às necessidades da população brasileira.
Na abertura, o diretor do Departamento de Ações Estratégicas de Epidemiologia e Vigilância em Saúde e Ambiente, Guilherme Werneck, ressaltou a relevância do momento para o fortalecimento das ações no país. “É um momento muito importante de troca de experiências e conversas no espírito da gestão tripartite. Para o nosso departamento, que atua de forma transversal, é uma oportunidade de avançar em ações estruturantes da vigilância em saúde”, afirmou.
O encontro reuniu representantes de instituições estratégicas para o SUS, como o Conselho Nacional de Saúde, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS). A presença desses atores reforçou a importância da articulação interinstitucional para a consolidação de políticas públicas mais eficazes.
Representando o Conselho Nacional de Saúde, Jeanine Woycicki destacou os avanços da Política Nacional de Vigilância em Saúde (PNVS), mesmo diante de desafios persistentes. “Quando olhamos para trás, percebemos o quanto avançamos, especialmente após as escutas nos territórios. Ainda temos o desafio da institucionalização da PNVS, mas seguimos firmes na expectativa de consolidar essa política construída em um momento histórico adverso”, afirmou.
Na mesma linha, o representante do Conasems, Alexandre Chagas, chamou atenção para a necessidade de fortalecer a participação dos municípios e avançar em novos modelos de financiamento. “Hoje temos uma oportunidade concreta de pensar em um modelo cofinanciado, inspirado na atenção básica, com uma estrutura mínima nos municípios. Isso pode ser um passo importante para fortalecer a vigilância no país”, destacou.
Já o representante do Conass, Nereu Manzano, enfatizou que o diálogo entre União, estados e municípios é indispensável para o funcionamento do SUS. “Retomar esses encontros é fundamental. O diálogo tripartite é a base para qualquer ação no SUS, especialmente na vigilância em saúde. É preciso que esse diálogo aconteça também nos territórios, de forma permanente”, pontuou.
A integração entre áreas também foi abordada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Representando a Anvisa, Raoní Andrade Rodrigues destacou o esforço de aproximação entre a vigilância sanitária e as demais frentes da vigilância em saúde. “A Anvisa tem buscado fortalecer essa integração, mostrando que suas ações — como regulação, qualidade e inovação — estão diretamente relacionadas à ampliação do acesso e à proteção da saúde da população”, afirmou.
No âmbito internacional, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS) reconheceu os avanços brasileiros. A coordenadora de Eliminação, Prevenção e Controle de Doenças Transmissíveis e Determinantes da Saúde da Opas/OMS no Brasil, Maria Sanches, destacou o papel estratégico da vigilância em saúde. “A vigilância em saúde é uma das expressões mais concretas da capacidade do Estado de proteger vidas. O Brasil tem demonstrado liderança e avanços importantes, como na eliminação de doenças e no fortalecimento da resposta a emergências”, afirmou.
A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, reforçou o encontro como um espaço de defesa da ciência e de enfrentamento à desinformação. “O maior desafio hoje é a negação da ciência. Este espaço reafirma nosso compromisso com a ciência, com a recuperação das coberturas vacinais e com a proteção da população”, destacou.
A secretária também ressaltou conquistas recentes, como a manutenção da certificação de eliminação do sarampo no Brasil. “Isso é resultado de um esforço conjunto entre União, estados e municípios. Estamos conseguindo conter casos e evitar retrocessos, mesmo em um cenário internacional preocupante”, afirmou.
Outro ponto destacado foi a importância da gestão tripartite para o avanço das políticas públicas. “A partir das convergências, precisamos avançar no que é possível. A gestão compartilhada é o que sustenta o SUS e permite respostas mais efetivas”, disse.
Debates e encaminhamentos
A programação incluiu ainda uma mesa de debates com representantes estaduais e municipais, que discutiram desafios e apontaram caminhos para aprimorar o funcionamento do sistema de saúde. A troca de experiências evidenciou a relevância de agendas estratégicas, como a vigilância em saúde, a atenção primária e o enfrentamento das mudanças climáticas, para a construção de um SUS mais eficiente e equitativo.
Durante o debate, Mariângela Simão apresentou um panorama das ações e avanços do Ministério da Saúde na área de vigilância. Entre os destaques, estão a implementação do AdaptaSUS, o fortalecimento da resposta a emergências em saúde pública e a ampliação das estratégias de imunização.
“Estamos trabalhando para consolidar políticas essenciais que garantam a continuidade das ações, independentemente de mudanças de gestão. Precisamos fortalecer o que já avançamos e enfrentar desafios persistentes, como a recuperação das coberturas vacinais”, afirmou.
O secretário adjunto de Vigilância em Saúde e Ambiente, Fabiano Pimenta, destacou a importância de consolidar avanços e projetar o futuro da área. “É fundamental entender o que já construímos, consolidar essas conquistas e, ao mesmo tempo, pensar nos próximos passos. A vigilância precisa continuar evoluindo, com base nas necessidades dos territórios”, disse.
Fabiano também reforçou o papel da articulação entre os entes federativos. “Não há como pensar vigilância em saúde sem a participação ativa de estados, municípios e controle social. Esse é o caminho para fortalecer o sistema”, completou.
Mariângela Simão também destacou o compromisso coletivo com o futuro do SUS. “O futuro é construído agora. Precisamos olhar para frente, aprender com o passado e seguir fortalecendo um sistema de saúde mais justo, equânime e capaz de responder às necessidades da população brasileira”, concluiu.
João Moraes
Ministério da Saúde
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