Ministério da Saúde reconhece municípios com Selos de Boas Práticas rumo à eliminação da malária
Cerimônia destaca avanços no controle da doença e reforça estratégias nacionais de diagnóstico, tratamento e vigilância

O Ministério da Saúde promoveu no dia 16, durante a 18ª edição da ExpoEpi, a cerimônia de entrega dos “Selos de Boas Práticas Rumo à Eliminação da Malária” aos municípios de Porto Velho, Itapuã do Oeste, Cujubim, Guajará-Mirim e Candeias do Jamari, em Rondônia.
A iniciativa reconhece municípios que atingiram metas de impacto e de processo no enfrentamento da malária, com base em indicadores padronizados. O objetivo é valorizar experiências exitosas, fortalecer a vigilância em saúde e prevenir retrocessos no caminho para a eliminação da doença no Brasil.
Durante a cerimônia, a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Mariângela Simão, destacou que o reconhecimento faz parte de uma estratégia estruturada e baseada em evidências. “A verificação subnacional alinhada às diretrizes do programa de eliminação da malária é uma estratégia que reconhece conquistas locais e impulsiona avanços contínuos rumo à eliminação da doença. Os selos são concedidos com base em metas e indicadores padronizados e refletem o processo de cada município”, afirmou.
A entrega dos selos ocorre em um cenário de avanços significativos no controle da malária. Em 2025, o país registrou o menor número de casos da doença desde 1979, com redução de 15% em relação ao ano anterior. Também houve queda de 30% nos casos por Plasmodium falciparum, forma mais grave da doença, além de redução de 28% nos óbitos, passando de 54 para 39 no período.
Segundo a secretária, os resultados demonstram a importância da atuação integrada entre as esferas de governo. “Não basta o Ministério da Saúde estabelecer protocolos e garantir insumos. Quem faz a diferença está na ponta: são os municípios e os estados. Essa é a força do SUS, um sistema de responsabilidade compartilhada que permite alcançar resultados concretos na vida das pessoas”, destacou.
Os resultados refletem o fortalecimento das estratégias coordenadas pelo Ministério da Saúde, com destaque para a ampliação do acesso ao diagnóstico e ao tratamento, especialmente em áreas prioritárias. A aquisição de testes de diagnóstico rápido foi ampliada em seis vezes, fortalecendo a rede diagnóstica, sobretudo em regiões de difícil acesso.
No campo do tratamento, o Brasil avançou com a implementação da tafenoquina, medicamento utilizado na cura da malária por Plasmodium vivax. Mais de 25 mil pacientes já foram tratados com a formulação adulta e, em março de 2026, teve início a oferta da versão pediátrica, priorizando populações indígenas. Com essa medida, o país tornou-se o primeiro do mundo a disponibilizar a tafenoquina na formulação infantil, ampliando o acesso ao tratamento para um público que concentra cerca de 50% dos casos da doença.
Mariângela Simão também ressaltou os investimentos recentes e o impacto das novas tecnologias no enfrentamento da doença. “O governo brasileiro tem trabalhado para garantir o melhor tratamento disponível no Sistema Único de Saúde. Recentemente, passamos a ofertar a tafenoquina pediátrica, o que representa um avanço fundamental, especialmente para crianças pequenas, que agora têm acesso a um tratamento mais adequado, seguro e eficaz”, disse.
As ações incluem ainda a intensificação da busca ativa de casos, especialmente para o Plasmodium falciparum, e o fortalecimento das estratégias em territórios prioritários, como áreas indígenas e regiões de garimpo. No Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami, por exemplo, houve redução de 22% nos casos e de 80% nos óbitos, evidenciando o impacto das medidas adotadas.
Ao reconhecer municípios que se destacam na implementação dessas estratégias, o Ministério da Saúde reforça o compromisso com a eliminação da malária como problema de saúde pública no país. A iniciativa integra a agenda nacional alinhada aos objetivos globais de saúde e à Agenda 2030.
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