Pré ExpoEPI promove reuniões de Lacens e oficina sobre impactos dos agrotóxicos na saúde humana
Agendas realizadas em Brasília fortalecem a vigilância em saúde e a articulação entre áreas estratégicas do SUS

Durante a programação prévia da 18ª edição da ExpoEPI, realizada pelo Ministério da Saúde (MS) em Brasília (DF), duas agendas estratégicas reuniram gestores, especialistas e profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) para discutir o fortalecimento da vigilância em saúde no país: a Reunião com os Diretores dos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacens) e a Oficina “Agrotóxicos e Saúde Humana”. Os eventos acontecem ao longo desta terça-feira (14).
A reunião com os diretores dos Lacens promoveu o alinhamento de ações e o intercâmbio de experiências entre os responsáveis pelos laboratórios estaduais, que desempenham papel essencial na rede nacional de vigilância laboratorial. O encontro contou com o discurso de abertura da secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do MS, Mariângela Simão, e foi conduzido pela coordenadora geral de Laboratórios de Saúde Pública (CGLAB), Karen Machado. A atividade incluiu a apresentação das atividades desenvolvidas em 2025 e o planejamento para 2026, além de debates sobre a Política de Laboratórios de Saúde Pública e o planejamento integrado para aquisição de insumos nos próximos anos.
Entre os temas centrais da programação, esteve a discussão sobre a Portaria nº 2.031 de 2024 e os avanços na Política Nacional de Laboratórios de Saúde Pública, abordando aspectos regulatórios e estruturantes para a organização da rede. Também foram apresentadas diretrizes para qualificação dos serviços e ampliação da capacidade de resposta a emergências em saúde pública. Outro ponto relevante foi o debate sobre o planejamento integrado para aquisição de insumos laboratoriais para 2027, com ênfase na otimização de recursos, na garantia de abastecimento e na sustentabilidade das ações laboratoriais em todo o território nacional.
O espaço foi dedicado à escuta dos gestores estaduais, com foco nas expectativas em relação à atuação da CGLAB, reforçando a importância do diálogo e da cooperação técnica para o aprimoramento contínuo da vigilância laboratorial no país. Segundo expôs Karen Machado, os Lacens são estratégicos para a detecção, análise e confirmação de doenças e agravos, contribuindo diretamente para a tomada de decisão e a implementação de políticas públicas baseadas em evidências. “Essa agenda reforça a importância da cooperação entre os entes federativos e da modernização contínua das estruturas laboratoriais”, explicou.
A oficina “Agrotóxicos e Saúde Humana”, por sua vez, reuniu especialistas, técnicos e gestores para discutir os impactos da exposição a agrotóxicos na saúde da população, com ênfase na vigilância, notificação e prevenção de intoxicações. Foram debatidas estratégias para qualificação dos sistemas de informação, aprimoramento das práticas de notificação e sensibilização dos profissionais de saúde quanto aos riscos associados ao uso de agrotóxicos.
Na abertura do evento falou-se sobre a urgência do tema no contexto atual, marcado pela intensificação de problemas ambientais e seus impactos na saúde. A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Agnes Soares, ressaltou que a participação do público evidencia o caráter coletivo da preocupação com os efeitos dos agrotóxicos. “Nosso objetivo é colocar esse tema na mesa e avançar com soluções concretas para proteger as populações expostas”, afirmou.
Em sua palestra, o coordenador-geral de Vigilância em Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, Luis Leão, destacou a importância de compreender o trabalho como elemento central na determinação do processo saúde-doença, chamando atenção para os impactos ao longo de toda a cadeia produtiva dos agrotóxicos.
A programação da oficina incluiu apresentações técnicas e atividades práticas voltadas à identificação de problemas e à construção de soluções, por meio da abordagem de temáticas como estratégias de fortalecimento da Vigilância em Saúde das Populações Expostas a Agrotóxicos (VSPEA) e o monitoramento de agrotóxicos na água para consumo humano.
Suellen Siqueira
Ministério da Saúde
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